Tortilla de Patata (Omelete de Batata)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sem demora, vamos à receita.

Ingredientes:

120 ml de Azeite de Oliva (½ x.c.)
120 ml Óleo vegetal (½ x.c.)
1 Cebola média
6 Batatas médias
6 Ovos inteiros 
Sal q.b. 
Salsinha q.b

Modo de preparar:

• Lavar e sanitizar as hortaliças;
• Picar a salsinha;
• Cortar as batatas e a cebola em rodelas finas;
• Numa frigideira antiaderente de 25 cm de diâmetro, aquecer o óleo e o azeite. Acrescentar a cebola e fritá-las até dourar. Retirá-las e deixá-las escorrer em papel absorvente. Reservar;
• Na mesma frigideira, acrescentar as rodelas das batatas delicadamente e fritá-las até dourar. Retirá-las e deixá-las escorrer em papel absorvente. Reservar;
• Escorrer quase toda gordura da frigideira, manter apenas cerca de três colheres de sopa. Reservar;
• Numa tigela, juntar a cebola e a batata fritas e temperá-las com sal;
• Em outra tigela, colocar os ovos inteiros, juntar uma colher de chá de sal e bater na batedeira elétrica até espumar;
• Acrescentar a mistura da batata e com a cebola aos ovos batidos e mexer delicadamente;
• Colocar a gordura reservada na frigideira e aquecê-la em fogo médio;
• Adicionar a mistura da batata, cebola e ovos e espalhá-la uniformemente na frigideira com auxilio de uma espátula. Cozinhar por cerca de três minutos, sacudindo a frigideira de vez em quando, para evitar que o ovo grude;
• Virar a tortilla sobre um prato quando a parte inferior estiver firme e colocá-la de volta à frigideira com a parte não-cozida para baixo;
• Cozinhar até dourar, decorar com a salsinha picada e servir ainda quente.

Sugestão: antes de servir, ponha um pouco de queijo coalho picado por cima da tortilla e a leve ao forno para gratinar. 

Rendimento: 12 miniporções. 

Fotos do Mise en Place:

Ovos inteiros

Batata chips frita

Cebola frita

Azeite e Óleo

Salsinha picada

 Confira também o primeiro prato principal: Bacalao al ajo arriero (Bacalhau com alho e tomate). 

Cogumelos Recheados com Anchovas - Releitura.



Olá, queridos! Finalmente dou início à série de postagens dos pratos e releituras de preparações típicas da Espanha. 

Dentre as receitas executadas no Evento Gastronômico que fizemos como avaliação final da disciplina Ateliê Gastronômico II, começo trazendo a  primeira entrada servida na noite, uma releitura de Cogumelos Recheados com Anchovas. No evento, participaram  os alunos do Bacharelado em Gastronomia pela Universidade Federal da Bahia: Adrian Gonzalez, Isie Fernandes, Lays Neves, Pablo Pereira e a colega adjunta Léa Chemmes, sob a orientação do professor Walison Rogério.


Ingredientes:

30 Bases de Canapés (pão cortado em pequenos círculos)
25 g de Pão Fresco
40 ml Leite
500 g Cogumelos Shitake
40 g Anchovas
130 g de Bacon
1 dente de Alho 
2 Pimentões Vermelhos
1 Ovo (60 g)
20 g Farinha de Rosca
40 ml Azeite de Oliva
Salsa q.b.*
Orégano Fresco q.b.
Pimenta do Reino q.b
Sal q.b. 

*Q.b. = quanto baste

Modo de preparar:

• Lavar e sanitizar todas as hortaliças;
• Picar os cogumelos;
• Retirar a casca do pão e picá-lo;
• Cortar o bacon a salsa e o alho à brunoise (cubos de 3 mm);
• Cortar os pimentões à julienne (tiras finas 3 mm/ 5 cm);
• Limpar os filés de anchovas e picá-los;
• Pré-aquecer o forno a 200º C;
• Colocar numa tigela o pão picado e o leite. Reservar;
• Em outra tigela, juntar o bacon, os cogumelos picados, as anchovas, o alho, o ovo batido, a salsinha, o orégano, o sal, a pimenta do reino e o pão espremido. Misturar bem e reservar;
• Untar uma assadeira grande com um pouco do azeite;
• Rechear as bases dos canapés com a mistura dos ingredientes e colocá-las na assadeira;
• Salpicar os canapés montados com farinha de rosca e borrifá-los com azeite;
• Levá-los ao forno por cerca de trinta minutos, ou até que a parte superior fique crocante;
• Servi-los decorados com uma tira de pimentão vermelho e um pouco de pimenta do reino salpicada.

Fotos das etapas:

Recheio

Bases para canapés


Montagem dos canapés

Canapés prontos para decorar

Confira a segunda entrada: Tortilla de Patata (Omelete de Batata).

[Conto] Paulo, a Noite e o Escuro - última parte

terça-feira, 30 de novembro de 2010


Salut, queridos! Demorou um pouquinho, mas eu trouxe a segunda e última parte do conto. Agradeço pela presença de vocês aqui no blog. 


Boa leitura!


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Certa ocasião, numa dessas vagas madrugadas, Paulo descobriu algo maravilhoso. Cansado de enfrentar tantas doenças, desejou com profundidade deixar de ser enfermo. Ele repetiu seu desejo por três vezes, quase sussurrando, e logo uma força estranha invadiu o seu corpo, deixando-o revigorado, tornando-o um homem novo. O jovem ficara apavorado, aquilo seria impossível para alguém que possuía uma saúde tão frágil. Mas sua mente era mesmo teimosa, ela o obrigava a tentar de novo. O rapaz fez pensamento forte e repetiu outro desejo por três vezes, como antes, quase sussurrando. No dia seguinte, o que pedira estava realizado. Teria ele um dom, um poder especial, talvez causado pelas noites em claro e pelos dias amargos de cansaço? 

Paulo guardou aquele segredo e passou a usar seu dom de desejar em favor de todos. Deu saúde aos doentes, felicidade aos tristes, força aos fracos, riqueza aos pobres, simplicidade aos orgulhosos, sensibilidade aos desumanos, compaixão aos impiedosos... Ele tentava de tudo, sempre obtinha êxito. Nada de mau lhe atingia, não mais ficava doente, acontecia apenas o que profundamente desejava. No entanto, algo ainda o entristecia. Paulo tinha um poder incrível, conseguia alcançar tudo através dos seus profundos pedidos, exceto uma coisa...

Por mais que pedisse, Paulo não podia ter aquilo: dormir à noite, justo o que ele mais almejava. Foi quando o jovem percebeu que estava na hora de esquecer sua antiga busca, anular seu principal desejo, para sustentar o dom recebido e ajudar, com ele, ao mundo.

Mesmo decepcionado, ele aceitou o desafio e, como fizera a vida toda, continuou fingindo.


Meses depois, o então reprimido e responsável vespertino já não era alvo de chacotas. Paulo ainda não dormia, permanecia trabalhando durante o dia e vagando à madrugada; mas, agora, ele usava os poderes recebidos para renovar as próprias forças. Tornara-se um funcionário exemplar, conforme o chefe afirmava, o melhor dentre todos na empresa. Finalmente fora aceito, valorizado e reconhecido. Era um homem aclamado por todos, requisitado, cobiçado. O que mais Paulo poderia desejar? Sim, ele poderia, e desejou, e alcançou.


Em pouco tempo, o jovem pacato tornou-se o homem mais rico e próspero do mundo. Ele casou-se com a miss universo daquele ano e teve os filhos mais inteligentes, saudáveis, bonitos e carinhosos da face da terra. Sua vida ficara perfeita, do modo como nem mesmo o mais sábio dos seres humanos ousaria imaginar. Porém, Paulo se envolveu tanto com as coisas palpáveis da vida, que terminou se esquecendo de algo extremamente importante.


Um dia, o homem mais poderoso do mundo acordou e percebeu que não podia usar seu precioso dom, descobriu que se esquecera de como fazia para desejar.


Aos poucos, o poder de Paulo começou a decrescer, e diminuiu até escassear. Perdendo-se dos seus desejos, voltou a ser o ele antigo; ficou fraco, doente, inseguro. Estava sofrendo outra vez, sentindo o cansaço extremo que, por causa da idade, já não conseguia disfarçar. As marcas das noites não dormidas e dos dias de trabalho pesado, sem a ajuda renovadora dos poderes, estavam claras em sua face, estampadas.


Um dia, Paulo chegou exausto em casa e notou que murmúrios suspeitos vinham da cozinha. Com passos meio débeis, ele caminhou até lá. Era a esposa e os filhos que conversavam. O homem ficou contente, com o coração acelerado. Ele tinha bons motivos para sentir-se daquele jeito, seu aniversário estava próximo; todos os anos, a doce miss universo encontrava um jeito novo de comemorar o tal dia glorioso.


O dono do mundo aproximou o ouvido da porta, a fim de escutar melhor, e ficou decepcionado. Eles não combinavam como seria a sua festa, discutiam sobre outro assunto. As palavras da família, embora sussurradas, eram exatas; eles suspendiam uma questão há muito esquecida: a esquisitice de Paulo.


Entre tramas e protestos, por fim, chegaram a um senso comum, decidiram interditá-lo. Decretariam que Paulo estava louco. Afinal, que lógica havia em um homem daquela idade e extremo sucesso, nunca dormir à noite, padecendo de medo do escuro?


Paulo sentiu-se como na infância, quando era levado pelos pais de um lado para o outro. Camuflara as suas diferenças a vida inteira, mas sentia que já não tinha forças para fazê-lo. Sabia que, caso não interviesse à ação da família, terminaria novamente ridicularizado. Não! Por tudo que havia sofrido, não poderia aceitar aquilo.


Agoniado, ele mergulhou em pensamentos. Sua mente, mesmo cansada, continuava insistente, teimosa. Ela dizia que talvez houvesse um modo de recuperar o dom e tornar a esconder o antigo problema que tanto o afetava.


Esperançoso, o homem correu ao quarto, trancou-se e ficou sentado na cama. Fez tudo que podia, esforçou-se ao máximo para recuperar a fórmula perfeita do dom de desejar. Estava difícil... Por mais que ele tentasse relutar, seus sentimentos desviavam-no do foco, atiravam-no à incessante ideia de adquirir uma nova estratégia para voltar a ser aceito.


Desse modo, horas se passaram e Paulo não conseguiu recordar aquele grande segredo. O triste homem respirou fundo, sabia que não tinha outro jeito. Nascera fadado àquele fim, faria o que era preciso.


Paulo pegou canivete, papel e caneta, sentou-se à escrivaninha e escreveu o seu bilhete.


Com a arma em punho, o homem mais rico do mundo, contemplou-se no espelho pela última vez. Estava decidido, jamais se permitiria voltar a ser escarnecido. Um gelo tomou conta do seu corpo, ele sentiu raiva por tudo que havia enfrentado. Paulo respirou fundo, ergueu o canivete e cegou os olhos. Nunca mais veria a luz do sol, ficaria para sempre na escuridão. Talvez assim, pudesse enganar-se, fingir que o dia era a noite e reconquistar sua dignidade, vivendo igual a todo mundo.


Apenas três dias após o ocorrido, o bilhete fora encontrado. Surpreendentemente, a inscrição dizia: sou igual a todos e não tenho medo do escuro. 

Spaghetti Twitter

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Outra vez, venho postar uma receitinha realmente fácil de executar, eu diria, de nível de complexidade baixíssimo. Aconteceu o seguinte, não tive tempo de almoçar, por volta das 18h30 de ontem, após um lanchinho no meio da tarde, senti muita, mas muita fome mesmo. Fui à cozinha e resolvi inventar moda. Eu queria fazer molho Pesto, só que não tinha manjericão, tive que improvisar.... Por que esse nome? Bom, essa fome exagerada chegou bem no momento em que eu tinha logado o meu Twitter - justo, não?

Spaghetti Twitter

Ingredientes:

6 ninhos de Spaghetti de grano duro
Água
1 colher de sopa de óleo
50g de Cebola
50 ml de Azeite de Oliva
20g de Queijo Parmesão 
4 colheres de sopa de Avelã triturada
Cheiro Verde q.b.
Sal q.b

Modo de preparar:

1. Colocar água para ferver com o óleo;
2. Num liquidificador, bater a cebola, o azeite, o queijo já ralado, a avelã, o cheiro verde e 20 ml de água;
3. Agregar um pouco de sal na água fervente e adicionar os ninhos de spaghetti;
4. Deixar a massa cozinhar até atingir o ponto (al dente). Respeitar o tempo de cozimento indicado na embalagem da massa;
5. Colocar o molho batido numa panela e deixar ferver até ficar encorpado;
7. Corrigir o sal do molho;
6. Escorrer a massa e agregá-la ao molho fervente;
7. Servir ainda quente e decorar preferencialmente com elementos utilizados na preparação - avelã, cheiro verde picado, queijo...


Rendimento: 02 porções.

Obs. Como a receita é minha, eu permito que as avelãs sejam trocadas por nozes ou amêndoas, desde que estejam sem pele.


_________________
q.b. - quanto baste.



Arroz Voici com Guisado de Cordeiro

segunda-feira, 22 de novembro de 2010


Olá, pessoal. Finalmente volto a postar uma receitinha bem gostosa e super fácil de preparar. O prato é simples, mas tem um ar sofisticado. Marquem um jantar com os amigos, as namoradas (os), noivas (os) ou, até mesmo, surpreendam suas esposas (os). 


Essa é mais uma das minhas criações. 


Aproveitem e deliciem-se!


Arroz Voici

Ingredientes: 

Base do arroz                 
                              
200 g de Arroz parboilizado                       
2 colheres de sopa  de Azeite de Oliva
2 colheres de sopa de Cebola   
400 ml de Água
Sal q.b.*
                              
Complemento               
                              
90 g de Abacaxi (6 colheres de sopa)    
60g de Castanhas de Caju (aprox. 13 und.)        
45 g de Amêndoas (aprox. 10 und.)      
1 colher de sopa de Sálvia                          
Pimenta rosa  q.b.         
1 raminho de Alecrim                   
2 colheres de café de Manteiga              
Sal q.b.

Modo de preparar:

  1. Retirar a pele das amêndoas e picá-las;
  2. Picar 10 castanhas de caju;
  3. Cortar a cebola à brunoise*;
  4. Picar 6 folhas de sálvia à brunoise. Reservar;
  5. Numa panela, aquecer o azeite e acrescentar a cebola para dourar;
  6. Colocar o arroz a selar;
  7. Agregar a água quente, temperar com sal e deixar cozinhar até atingir o ponto al dente. Reservar;
  8. Em outra panela, aquecer a manteiga e dourar as castanhas e as amêndoas picadas;
  9. Acrescentar o abacaxi a fritar;
  10. Adicionar as folhas de sálvia, em seguida, agregar o arroz. Rechear na mistura;
  11. Corrigir o sal;
  12. Servir quente e decorar com as castanhas inteiras, as pimentas-rosa e um raminho de alecrim.


Dica: As castanhas para decoração podem ser passadas na manteiga com um pouco de açúcar, assim, elas atingem um brilho especial, aumentando a beleza da apresentação.     


Guisado de Cordeiro

Ingredientes:

2 Bistecas de Cordeiro 
1 Colher de sopa de Azeite de oliva       
1 dente de Alho              
1 pitada de Pimenta do reino    
2 colheres de sopa de Cebola   
2 colheres de sopa de Salsão          
1 raminho de Alecrim                 
80 ml de Vinho seco      
200 ml de Caldo de carne           
Sal q.b.          

Modo de preparar:

  1. Cortar o alho, a cebola e o salsão à brunoise;
  2. Temperar as bistecas com o sal, o alho, a pimenta e o vinho. Reservar;
  3. Deixar marinar por 20 minutos;
  4. Numa frigideira antiaderente, aquecer o azeite;
  5. Selar as bistecas e deixá-las atingir o ponto;
  6. Adicionar a cebola e o salsão a dourar;
  7. Agregar o líquido da marinada, deixar cozinhar em fogo brando;
  8. Adicionar o caldo de carne, aos poucos, e agregar um raminho de alecrim;
  9. Deixá-las cozinhar até atingir maciez;
  10. Corrigir o sal;
  11. Servir as bistecas com o Arroz Voici ainda quentes e regadas pelo próprio molho.

Rendimento: 02 Porções.

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*q.b - quanto baste.
*brunoise - cubinhos pequenos.


Paulo, a Noite e o Escuro (Parte I)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Olá, pessoal. Ça va? Estive pensando esses dias, faz tempo que não posto um conto aqui. Dei uma vasculhada na minha papelada digital e encontrei um texto interessante, é a história de um vespertino muito especial chamado Paulo - se você ainda não sabe o que é ser vespertino, clique AQUI e leia um artigo escrito por Lílian Ferreira, ou clique AQUI e leia uma crônica que escrevi sobre o assunto. Como o conto tem 4.502 caracteres (com espaço), preferi dividí-lo em duas partes. 

Desejo a todos uma excelente leitura!


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Paulo era diferente, um jovem introspectivo acostumado a ouvir e suportar calado as diversas críticas que recebia. Suas diferenças começaram a ser notadas ainda nos seus primeiros dias de vida. Enquanto todos dormiam, o menino chorava; porém, quando acordavam, ele dormia. Pensaram que fosse birra de criança, pura mania, ou medo do escuro. Mas o tempo passava, Paulo crescia, e aquilo não terminava, persistia.

Os pais dele ficaram nervosos, levaram-no a vários médicos, e nada do que lhes mandavam fazer trazia bons resultados. Preconceito à parte, aos quinze anos, enfim, acompanharam-no ao psiquiatra. Ótima consulta. Agora sabiam que o filho apenas tinha um trauma de infância. Certamente, dizia o doutor, Paulo não dorme à noite pelo terror que a escuridão lhe causa.

O menino ficou furioso. Afinal, o que seria dele se aquilo nunca passasse? E se todas as pessoas que ele conhecia resolvessem apelidá-lo de medroso? Paulo manteve-se calado. Porque viu esperança nos olhos dos pais, respirou profundamente e engoliu a raiva.

Seus pais saíram felizes do consultório, acreditaram cegamente no sucesso dos remédios tarja preta. Para eles, o especialista bem sabia o que afirmava. Ainda havia chances do filho se tornar um garoto normal, indo à escola, arrumando amigos, fazendo parte de grupos de estudo, conquistando namoradas... Estavam confiantes, pensando que logo se livrariam daquele extenso e constrangedor problema. Sabiam que Paulo era um menino bom, obediente e disciplinado. Ele tomaria os comprimidos na hora certa, se esforçaria, seguiria à risca as ordens do médico. E assim foi... Contudo, mesmo sob o forte efeito dos medicamentos, as diferenças prometidas pelo psiquiatra jamais se manifestaram.

Após incontáveis meses do tratamento inútil, os pais perceberam que Paulo não tinha jeito. Eles entraram em acordo, decidiram aceitar a condição do filho e ignorar para sempre aquele assunto. O menino não se conformou, ficou extremamente irritado. Ele não podia desistir, queria provar que não tinha medo de nada, que não era diferente dos outros.

Sem mudanças e frustrado, Paulo virou alvo de constante chacota. Tachado de medroso por onde passava, o pacato garoto contrariava a lógica e nunca revidava. Mesmo sob forte aborrecimento, permanecia inerte, lutava calado contra seus conflitos internos, sofria quieto os preconceitos.

Preso interiormente, o menino tornou-se um rapaz receoso. Paulo não tinha medo, como diziam as pessoas e o psiquiatra, do escuro; tinha medo dos outros. Queria ser ele mesmo, arrumar um bom trabalho noturno, ter sua chance, reconhecimento, respeito. Porém, daquele jeito esquisito, parecia impossível que alguém lhe desse crédito. 

Por fim, aos vinte anos, conseguiu o primeiro emprego. Não era um trabalho excelente, mas servia para aproximá-lo da realidade alheia com a qual tanto sonhava.

Paulo trabalhava o dia inteiro e, como à noite não dormia, nunca descansava. Aquilo era uma incógnita para todos, nem mesmo ele conseguia explicar a estranha relação que tinha com as horas. Achava-se culpado por ser daquele jeito e castigava-se, imaginando-se diferente do que era, sendo aceito, como todos.

O tempo corria, e ele, com muito esforço, mantinha-se firme naquela rotina pesada. Virara um adulto pálido, de olheiras profundas e olhos quebrados que, à tarde, por qualquer descuido, dormitavam. Como se não bastasse tanto esforço, Paulo precisava disfarçar os sinais que seu corpo dava de uma iminente desgraça. Tivera incontáveis disenterias, todas as gripes da moda, rinite, tendinite, conjuntivite e otite. Aos vinte cinco anos, sentia-se derrotado. Queria desistir do emprego, abandonar a ideia de provar que podia se tornar igual aos outros; porém, sua mente insistia, relutava.

Certa ocasião, numa dessas vagas madrugadas, Paulo descobriu algo maravilhoso. Cansado de enfrentar tantas doenças, desejou com profundidade deixar de ser enfermo. Ele repetiu seu desejo por três vezes, quase sussurrando, e logo uma força estranha invadiu o seu corpo, deixando-o revigorado, tornando-o um homem novo. O jovem ficara apavorado, aquilo seria impossível para alguém que possuía uma saúde tão frágil. Mas sua mente era mesmo teimosa, ela o obrigava a tentar de novo. O rapaz fez pensamento forte e repetiu outro desejo por três vezes, como antes, quase sussurrando. No dia seguinte, o que pedira estava realizado. Teria ele um dom, um poder especial, talvez causado pelas noites em claro e pelos dias amargos de cansaço?

Confira a continuação clicando AQUI!

 

Que coisa meiga você é?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eu e minhas ideias... Estava passeando na net, assim, como quem não quer nada, procurando fotos para me inspirar, e encontrei um blog antigo. Nele, uma pergunta: que coisa meiga você é? Trata-se de um teste, no final, você recebe um quadro indicando qual a imagem da sua meiguice. Vejam o que saiu pra mim...



Quer saber que coisa meiga você é? Clique AQUI, na pergunta ou na imagem acima. Vê se responde tudo direitinho, hã? Vai que dá um sapo estriado ou um abacaxi, a culpa será toda sua. 

Tiete, eu? Não...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Eu e Samambaia
Venho aqui contar uma piada. Sim! Sei que isso não é muito a minha cara, mas, às vezes, acontece. Claro que passou o meu tempo de tiete, quando, adolescente, eu corria ao então Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães (antigo Dois de Julho - bem melhor o nome anterior, sem comentários) e tirava fotos com diversos jogadores. Eu tinha autógrafos de vários atletas da seleção de futebol tetracampeã - Romário, Bebeto, Jorginho, Ronaldinho Fenômeno, Dunga... Além de matérias recortadas em jornal preto e branco, pulando o muro do Hotel Sofitel Quatro Rodas e pedindo autógrafo a Edmundo Animal (capa do jornal, galera!).

Tudo bem, essas coisas parecem nos seguir, terminei me casando com um artista, um músico. Juro que não me importo tanto por andar no meio artístico, a gente se acostuma com o tempo, sabe? Todo mundo é igual. Cantores também soltam pum e adoram brincadeirinhas comuns. Mas não vou fugir muito do objetivo, contarei logo o meu king kong.

Na madrugada de 11 para 12/10, fui a um show muito especial - gravação do terceiro DVD ao vivo da banda Harmonia do Samba, no sambódromo de Manaus. Ora, isso é mesmo raridade, quem não sabe que eu não sou dada a festas (nem mesmo costumo ir aos shows evangélicos, fui para passear e dar apoio ao meu marido)? Enfim, estávamos conversando, eu e as demais esposas dos músicos que tocariam naquela noite, quando uma loira e um "palhaço" aproximaram-se de nós, acompanhados por um cinegrafista. Rede Record de Televisão... Oh, gente, todas escapuliram pela direita, e eu fugi à esquerda. Resultado: me entrevistaram. Agora, todo mundo vai me ver sem saber o que dizer, com cara de pateta em rede nacional.

Ficaram curiosos, não? Querem assistir à entrevista pra dar boas risadas da minha cara. Bem que eu contaria os detalhes, mas nem sei quando passará isso. Coloco as fotos aqui - depois do mico, por que não registrar o grande momento? Quem souber a data da exibição bem que pode me avisar (Programa de Ana Hickmann).

Alguém me diz o nome dele?

Eleições!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


Gostando ou não do resultado - e eu, particularmente, gostei -, a verdade é que o dia das eleições é sempre muito inusitado: encontramos pessoas que só vemos de quatro em quatro anos; revemos colegas antigos; passamos por lugares que não íamos há tempos; por fim, somos reconhecidos pelos mesmos mesários de sempre, desde que votamos pela primeira vez. Mas não é apenas isso, coisas ainda mais estranhas acontecem.

Ontem pela manhã, meu esposo desceu para jogar o lixo fora e encontrou um rapaz entregando panfletos eleitorais. Temos um colégio a cem metros de casa, o meu colégio eleitoral, e a rua fica entupida de gente e de papel - o Brasil inteiro fica. Bom, retornando... O rapaz, antes, tinha um cabelo trançadinho com continhas coloridas nas pontas, agora, estava com o cabelo bem cortado. Ele cumprimentou meu marido.


- Oi - respondeu. - E aí, rapaz? Tá diferente, cortou o cabelo...

- Foi, foi mesmo - ele entregou um santinho ao meu esposo. - Um candidato pra você votar aí, ó. Deputado Estadual.

- Obrigado, mas eu não voto aqui não, voto no interior, vou justificar.

- Sem problema, valeu assim mesmo.

- Tá certo. E você, votou em quem pra presidente?

- Ah, eu não votei em presidente não, era muito número pra gravar, só votei nesse candidato aqui - o rapaz mostrou o santinho. 

- Foi mesmo? - meu esposo pasmou.

- Aham. Talvez eu vá lá mais tarde votar em mais algum.

- ?????? - meu esposo ficou em cócegas camufladas. - Tá bom, a gente se vê por aí.

- Tá joia, valeu.

E assim acabou a história excêntrica do meu esposo no primeiro turno das eleições de 2010. Ele disse que o rapaz não tinha jeito de doente mental, que parecia uma pessoa normal, falava bem e tudo mais. Agora, só resta uma questão: afinal de contas, esse rapazinho votou ou não votou?


Porque comer é psicológico

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


A prova!
Ontem à noite, me aborreci enquanto preparava o jantar. A cebola brunoise me provocou lágrimas, mas acho que elas já queriam mesmo escorrer. Empreguei meus sentimentos na comida. Dourar a cebola na manteiga, selar o arroz, adicionar caldo de legumes aos poucos... Esqueci de colocar sal. Got in himmel! Ainda bem que esse condimento é facilmente corrigido no fim da cocção.

É claro que a chateação não me fez bem, contudo, quem comeu meu picadinho de carne com legumes, o prato favorito do presidente em vigência, disse que estava delicioso - e estava mesmo.

Preciso emagrecer... Engordei três quilos desde o início do semestre. Tudo culpa dos biscoitos recheados, pães doces, sanduíches bufando queijo derretido, porções valorosas de molhos, cat chup e mostarda - maionese eu não aprecio muito; além de vitaminas e achocolatados, industrializados. Muita ansiedade... Chiclete a quilômetros, barras de chocolate aos bocados. Bala? Nem se fala... É sorte não terem surgido cáries, feitura do fio dental e do creme Total 12.

Acabou a farra gastronômica - de porcarias, é claro. Estou cercada de folhosas, pão preto, arroz integral, biscoitos de água e sal, frutas, iogurte magro e granola. Leite gordo? Somente escondido de mim mesma. Açúcar? Apenas sucralose ou adoçante. Apesar de parecer rígido, fico feliz.

A aula terminou mais cedo hoje, entrei no mercado. Na verdade, eu queria apenas comprar um medicamento na farmácia. Já viu estudante de gastronomia em supermercado, e com dinheiro no bolso, não comprar nada? Seria uma grande lenda. Pesquisa básica de futura cozinheira profissional, ao menos, é o que dirá meu diploma - e mais que isso: gastrônoma.

Massas e molhos. Tenho dois tipos diferentes de queijo na geladeira, lembrei. Hum... Vou cozinhar!

Penne, molho béchamel, queijo parmesão ralado na hora e mussarela. Cury? E daí, o prato é meu. E páprica picante também. Euforia... É exatamente o que sinto, estou contente.

Afogo o resquício da chateação de ontem na preparação de hoje. Corto a cebola petit petit brunoise  - atenção, isso nem existe no Brasil, seulement en Paris. Eu choro e dou risada da cara da cebola, virou farelo ao fio da minha faca do chef de dez polegadas. Passo alho no fundo da panela, meu queijo não grudará. Quem não sabe fazer molho béchamel, que consulte o Le Cordon Bleu! *

Meu prato está lindo, vocês podem ver, tirei fotografias, lógico. Vou comer satisfeita, quebrando minha dieta, mas feliz. A comida não é apenas alimento, e o comer não é só nutrir o corpo. Como quando estou triste, como quando estou feliz, como quando festejo, como quando não tenho nada pra comemorar. Comer faz bem, acalma e agita; cada qual em seu momento perfeito.

Comi meu penne ao molho de queijos, uma quantidade suficiente para me deixar bem feliz. Descansei e voltei aos iogurtes magros com granola, porque comer eleva o astral, e ter uma silhueta perfeita também.


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Le Cordon Bleu: é um livro de técnicas da clássica culinária, a "Bíblia" da cozinha. Este nome significa ao pé da letra O Cordão Azul


O Andante

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Como são as coisas, não? Eu estava remexendo num dos meus cadernos e encontrei um texto. Achei legal, mas não faço ideia de quando o escrevi, penso que foi há um ou dois meses. Bom, eu gostei, então, deixo aqui para quem quiser lê-lo.

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O Andante



Um dia, um jovem cheio de vida sentiu-se confuso. Seu futuro era promissor, mas ele sabia que enfrentava o momento mais importante da sua vida: o da decisão.

Como não tinha certeza do que fazer, começou a andar. Não pensou num caminho, não traçou um projeto, nem ao menos pegou um mapa; apenas caminhou. 

No primeiro dia, andou tanto que nem viu o tempo passar. Estava empolgado em fugir e continuou daquele jeito, sem rumo, sem o contar das horas, sem levar provisões. Foi andando e se afastando dos carros, das casas, das pessoas...

Um tempo depois, finalmente o jovem se cansou. Ele parou no meio da estrada e, só então, percebeu quão longe fora. A tarde havia findado, a noite caído; o dia amanhecia. Viu à frente dois caminhos, uma bifurcação.

Por que a vida provocava aquele tipo de coisa? Haveria sempre algo a decidir? Um rumo a escolher? Como da primeira vez, ele não hesitou, virou-se de costas e descobriu o pior: não sabia onde estava e nem como retornar.




Criação de Personagens

sábado, 4 de setembro de 2010


Aproveitando o incentivo de Leonardo Schabbach - escritor, blogueiro e editor - em sua postagem sobre composição de personagens, resolvo contar parte da minha experiência mais recente.

Embora tenha aprendido a criar personagens como um exercício, observando o comportamento de amigos, familiares e pessoas que nem mesmo conheço - sem que haja um objetivo direto -, prefiro dar vida a personagens que fazem a história se moldar a eles. Então, falarei sobre o método que utilizei para criar uma das personagens mais complexas do meu livro em andamento, o romance Entre a Fé, a Razão e o Coração

Antes de iniciar o processo de criação, pensei na história. Imaginei a quantidade de personagens centrais, o local onde se passaria e o enredo principal; então, comecei.

A violinista Christina Fragiolli

Em primeiro lugar, escolhi o nome. Eu queria algo sério e, ao mesmo tempo, fácil de apelidar, para que a relação com o leitor fosse íntima nesse sentido. Depois, decidi qual seria a idade dela, o estado civil e a profissão - sem muitas pesquisas, apenas para encaixar o dado na história. Em seguida, moldei os laços sociais - pais, irmãos, tios, avós, amigos... -, bem como a naturalidade, a descendência, a posição financeira da família e o ambiente em que  ela viveu desde a infância até a fase adulta. A partir daí, tracei o perfil psicológico - traumas, temores, anseios, sentimentos reprimidos, temperamento, manias, fobias... Só então, cheguei à descrição física.

Nesse momento, percebi que a vida de Christina Fragiolli já estava formada, era preciso apenas adicionar detalhes sobre a profissão, personagens secundários e acontecimentos interessantes; tudo girando em torno dela.

Claro que romances possuem uma estrutura bastante complexa. A vida de cada personagem é apenas parte de um grande emaranhado de subenredos. Cabe a nós, escritores, saber como cruzar e descruzar, bagunçar e arrumar essas nossas criações.

Resenha de Escola dos Sabores - Erica Bauermeister

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Uma perspectiva gastronômica



Um curso de culinária é capaz de proporcionar muito mais do que o simples aprendizado de boas receitas.

“Escola dos Sabores” é um livro apaixonante e cheio de surpresas, que pode ser fielmente comparado a uma refeição completa - com direito à entrada, prato principal, degustação de um excelente vinho, sobremesa dupla e cafezinho -, num elegante, renomado e aconchegante restaurante.

A autora escreve, de forma brilhante, cada capítulo sob a perspectiva de um novo personagem, como os pratos que entram pelo salão de um restaurante e são apresentados aos gourmands pelos garçons; porções tão saborosas que tememos pelo seu fim; mas, quando enfim levamos a última garfada à boca, terminamos descobrindo que a iguaria seguinte é ainda mais irresistivelmente saborosa. Personagem a personagem, história a história, paixão a paixão.

Tudo isso para nos provar que a comida é realmente conciliadora, que comer é não é apenas nutrir o corpo e que cozinhar é muito mais do que preparar alimentos através de técnicas de cocção.


Mário e os DVDs

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Leitores e amigos, queridos! Vocês se lembram do Vilson? Sim, Vilson e a Pasta de Mário foi o primeiro conto que postei aqui no blog. Bom, esse Mário é aquele mesmo Mário, o amigo de Vilson. Penso em criar uma série sobre esses dois amigos, por enquanto, são apenas dois contos. Espero que vocês se divirtam bastante com eles, dois personagens superunidos e, ao mesmo tempo, totalmente diferentes. Boa leitura!

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          Aquele era um grande lançamento. Todos os dias, Mário ia até a locadora da esquina para saber se o filme já estaria disponível. Foram semanas nessa batalha angustiante, mas o DVD sempre estava locado. Por fim, convencendo o gerente da loja, o rapaz conseguiu se incluir na disputada lista de espera.

          Faltavam vinte e cinco dias para o tão sonhado filme chegar às suas mãos, visto que cinquenta pessoas, com direito a desfrutar daquele precioso DVD apenas por doze horas, estavam à sua frente na lista da locadora.

          Dia após dia, Mário suspirava, ansiando por assistir ao filme. Passava na loja de vez em quando, só para ter certeza de que tudo corria bem. Sonhava que acontecesse alguma desistência e seu nome pulasse ao menos uma linha à frente; mas, mesmo que aquilo acontecesse, sabia, o gerente era ferrenho, não o favoreceria, com certeza telefonaria imediatamente para o nome seguinte da lista.

          Quando a vez de Mário enfim chegou, ele passou no Shopping e providenciou um aparelho de DVD novo, o melhor de todos, para não correr o risco de perder sua preciosa chance, devido aos corriqueiros defeitos do seu antigo eletroeletrônico.

          Instalou o aparelho rapidamente e apertou o botão open/close. Nada aconteceu, o painel estava apagado. Mário tentou outra vez... Foi inútil. O que estaria acontecendo? Meio nervoso, ele verificou a instalação; tudo perfeito, todos os cabos conectados no televisor. Então, por que o maldito DVD não funcionava?

          Mário começou a apertar todos os botões do aparelho. Apertou com tanta força, que terminou por machucar as pontas dos dedos. Tantos dias de espera, tanto dinheiro empregado naquele DVD, para quê? Simplesmente, para ficar frustrado, como jamais seria se tivesse esperado aquele filme passar no canal aberto de TV.

          Um calor tomou conta de Mário que, furioso, olhou para a capa do DVD, depois para o aparelho. Se ele não podia assistir ao filme, ninguém mais naquela locadora de vídeos poderia.

          Mário abriu a capa do DVD, pegou a mídia e, como se saboreasse um delicioso pedaço de torta, partiu-a em pedacinhos. Depois, ainda mais enraivecido, tomou o aparelho de DVD nas mãos para, certamente, jogá-lo no chão. Foi então que Mário percebeu a grande bobagem que havia feito.

          Arrependido, ele se sentou no chão e chorou como criança. O DVD não tinha nenhum problema, Mário simplesmente havia se esquecido de conectar sua tomada à eletricidade.